Meu namorado colocou preço na gente: 100 dólares por dia
«Cara, descobri uma coisa que acabou comigo: meu namorado trocou a nossa relação por 100 dólares.»
Esta história é real. Quem viveu contou para a gente, e publicamos com a permissão dele, sem nomes e sem nenhum dado que permita reconhecer ninguém. É o segundo texto do tema desta semana: é errado mexer no celular do namorado quando você acha que está levando chifre?
Eu estava muito apaixonado
Literalmente, muito apaixonado. A gente estava junto havia quase seis meses e tinha tudo planejado: queria viajar, montar uma marca de roupa juntos, dividir todos os dias, casar. Tinha paixão, a gente se cuidava, ia ao cinema, curtia as coisas simples da vida.
Com a família a gente se dava muito bem; até tinha viajado com eles. Estava tudo muito bem. Ou era o que eu achava.
E começou a voz interior
Não sei explicar de outro jeito: uma intuição que não me deixava em paz. E não era só pressentimento, porque ele vivia no Grindr, o tempo todo. Quando você tem fatos, a desconfiança deixa de ser paranoia.
Então fiz o que tanta gente diz que não se deve fazer: fui atrás de saber.
O que eu encontrei
Meu namorado tinha combinado de passar uma semana inteira com uma pessoa num hotel. Por 100 dólares por dia.
Negou até o último dia. Mas estavam lá os áudios, com a voz dele, aquele sotaque inconfundível, e as mensagens.
Achei que eu valia isso
Aquilo me quebrou. E não foi só a traição. Foi o que me fez pensar de mim mesmo: achei que a minha autoestima valia isso. Ou menos. Que o que eu era como pessoa, tudo o que eu tinha dado, os planos, a família, valia menos que 100 dólares por dia.
A gente sabe que não é assim. Mas naquela hora eu não sabia.
E duvidei se o tóxico era eu
É o que mais me dá raiva hoje. Me chamaram de tóxico por ter ido atrás, e eu acreditei. Me perguntei de verdade se o errado era eu, por ter descoberto.
Escrito parece absurdo: ele tinha um preço e quem pedia desculpas era eu. Mas eu duvidei. De verdade, duvidei.
A verdade liberta
Doeu como poucas coisas já doeram na minha vida. E mesmo assim digo sem hesitar: a verdade liberta. Saber que alguém colocava preço nos nossos sonhos me fez ver que essa pessoa não cabia na minha vida.
Por isso digo com todas as letras: tudo bem ir atrás de saber quando você desconfia e existem fatos que fazem desconfiar. Não por esporte, não por insegurança. Quando há motivo. E se depois te chamarem de tóxico, que não aconteça com você o que aconteceu comigo: não acredite.
O que essa história deixa
É por histórias como esta que existe este blog do GPS Libre: para dizer em voz alta o que no meio gay quase sempre fica calado. As perguntas ficam com você:
- Você preferia nunca ter sabido?
- O que dói mais: levar chifre ou descobrir o preço?
- Você já duvidou de si mesmo por algo que outra pessoa te fez?
No próximo texto, o veredito da semana.